Energias

No mundo existe uma coisa
O nome dessa coisa é energia
Não me refiro a energia que acende a luz da casa
Mas sim aquela que acende a luz da alma
Dependendo da forma que é usada
A mesma energia que acende, apaga
Apaga os sonhos, os sentimentos e a calma.

Essa energia pode ser positiva ou negativa,
A positiva deixa os dias melhores,
Transforma dor em alegria,
Nos tira da agonia.
A negativa deixa a vida escura,
Cheia de amargura,
Nos afoga nas nossas próprias loucuras.

A diferença entre pessoas positivas e negativas é o que elas deixam por onde passam,
As negativas, 
Deixam sua dor.
As positivas,
Deixam sua cor.

-Ana Beatriz Marques

Vegetal

Eu descobri que força, é vontade
Agora quero ser feliz
Mesmo que o desgosto suba cada vez mais
Como xilema na planta que me tornei
Sou a prévia de tudo que vai acontecer
Com forma sólida quis te possuir
E já estou pronta
Você sorri e eu choro
Não ia aguentar ver de forma clara
Tratei de imediatamente desenhar situações
Para não cometer crimes
Do sentimento que me tira a razão
Chuto todos os potes de ouro
Bato palmas pra delicadeza
Volto pra casa
Choro sorrindo no ombro amigo
Tremula, sem saber o que sentir
Cavo um buraco na terra molhada do jardim
Ponho as mãos e os pés
Caio num sono agitado de lembranças
Desejos realizados de forma contorcida
Ficando dependente da caridade rara de alguém
Que fique contente em me ver corada e viva

 

Ana Karolina de Melo Paiva em 20/06/2010

Ânsia

Eu tenho ânsia de vida
E vivo com ânsia,
Ânsia de vômito,
Ânsia de encontro,
Ânsia de reencontro,
Ânsia de carinho,
Ânsia de seguir algum caminho,
Ânsia de ter um destino,
Ânsia de tu,
Ânsia de mim,
Ânsia de nós, 
Ânsia de ânsia,
Ânsia de vingança,
Ânsia de ser sempre uma criança,
Ânsia de me ter,
Ânsia de te ter,
Tenho ânsia de tudo,
Tenho ânsia de viver.
 
-Ana Beatriz Marques
15/02/2018 (quinta)
11:21

Ensaio sobre a saudade

Qual o tamanho de uma dor interminável?

Qual a equação para definir o comprimento de um sofrimento?

Qual é a fórmula para anular uma tristeza sem fim?

São anos…

São meses…

São dias…

Noites…

Lamentações…

E uma pergunta sem resposta…

“Porque você se foi?”

Sinto como se fosse agora, neste  exato momento:

Meu peito se corroendo.

Se convertendo em um poço de lagrimas que não seca.

Um desespero que me sufoca, inibe minha respiração.

Algo inexplicável…

Decepção, aflição, perdição, lágrimas, raiva, tristeza, sofrimento, dor, separação, término…

Como descrever algo indescritível?

Como remediar algo que não é doença, mas ausência?

Saudade que só aumenta, resposta que não vem, ficha que não cai, realidade em que não se acredita…

Os dias passam, as lembranças sobre você se perdem, os sorrisos desaparecem, os planos se dissolvem.

Como simples grãos de areia esparramados sobre a praia, como uma estrela no meio de outras milhares em uma galáxia a incontáveis anos-luz da percepção humana…

De repente…

Cinzas…

Sem volta…

Sem nova chance…

Sem adeus…

Sem expectativa…

Nada…

FIM.

Talvez

Talvez tudo aconteça como você sonhou

Talvez tudo dê errado

Talvez a vida seja um sonho

Talvez você precise acordar

Talvez seja melhor encarar a realidade

Talvez  você possa continuar sonhando

Talvez um dia você possa mandar na sua vida

Talvez você siga para sempre ordens

Talvez um dia você ame alguém

Talvez um dia seja amado

Talvez um dia sinta uma dor insuportável

Talvez um dia carregue o sorriso de uma criança

Talvez você não entenda aquela pessoa

Talvez ela não te entenda

Talvez o mundo seja difícil

Talvez não seja fácil

Mas talvez você possa vencer.

Autora: Lany

OLHARES

Um casal apaixonado se olha com intensidade,
A mesma intensidade que uma criança olha seu brinquedo preferido,
Uma mãe olha seu filho recém nascido com uma alegria pura, 
Olhar esse que também se aplica ao escritor olhando seu mais novo "filho" em forma de frases.

Um olhar diz tanto sem dizer nada
O olhar de desespero que não conseguimos controlar quando surge um problema,
O de raiva quando algo não sai do melhor jeito possível,
O de admiração quando vemos algo muito bonito, 
De orgulho por nós mesmos e pelas pessoas que amamos.

Enfim, olhares não faltam
Na verdade, na falta de olhares, o que faríamos?
Eles nos despem de uma forma as vezes ingênua (ou nem tanto)
Vivemos de olhares
Eles são a linguagem da alma.

-Ana Beatriz Marques 
08/08/17 (terça)

Parei pra pensar

Parei pra escutar,
Preferia ser surda.
Parei pra falar,
Preferia ser muda.
Parei pra ver,
Preferia ser cega.

Pra certas coisas preferia não parar,
Em certas ruas preferia não entrar,
Certos textos preferia não ler,
Muitas certas coisas, erradas parecem ser.

Existem certos sentimentos que preferia não ter,
Mas o que seria de nós sem de vez em sempre se perder,
De vez em nunca se achar,
Parei pra pensar,
E preferia ter corrido,
Ver o mundo em movimento é mais bonito,
Ou talvez nem seja,
Pode ser só meu eu lírico mostrando que está vivo.

-Ana Beatriz Marques
28/05/2018 (segunda)
07:58

Alguns motivos para escrever (e ler) poesia

COLOCAR EM PALAVRAS O QUE SENTE

É como se o que se sente e as palavras escritas se encaixassem perfeitamente, como se o sentimento ali colocado tivesse o poder de criar forma. Escrever é como colocar em exposição o peito aberto numa vitrine para quem quiser ver, é deixar que todos saibam o que se passa no seu interior é deixar que te explorem mesmo que não te conheçam intimamente. Ler também é deixar que te explorem, mas nesse caso não são pessoas, são as próprias palavras, é cada pontuação, cada verso, cada estrofe, cada rima. No fim das contas escrever ou ler é fazer uma terapia onde o psicologo se chama estrofe.

AUTOCONHECIMENTO

Poesia antes de qualquer coisa é verdade, é o que somos e como somos, como se diz aqui o ceará é o “batido e sacudido” não se escreve uma poesia sem sentir o que está escrito e do mesmo modo não lemos poesias quando não nos identificamos com ela. Lemos e escrevemos o que queremos ouvir, ou o que queremos saber sobre algo, e se escrevemos o que queremos e lemos o que escrevemos acaba que no final conhecemos mais de nós mesmos.

LAVA A ALMA 

Esse é o motivo que eu particularmente mais gosto, a sensação depois de tudo, a paz de espírito depois de ler algo que achamos muito bom, ou algo que era necessário ser lido para conseguir lidar com alguma situação. Melhor que isso só quando terminamos de escrever e aquilo que estava entalado na garganta nos sufocando a cada respiração sai e podemos viver livres novamente.

E foi isso, espero que tenham gostado e que alguém tenha ficado animado para ler ou escrever algo. Eu já escrevo, então essas são palavras de quem vive o ler e o escrever regularmente. A poesia é quase um puxadinho da alma. Até depois (se eu tiver a coragem de escrever novamente) bjtchau.

 

Encontro, de L. A. Freire

Andava pelas sombrias e escuras
A névoa e o frio congelando, as ruas
Com uma garrafa de tinto tateando ia
Na solidão, para casa entre as sombras seguia
 
Cansado, os becos parecendo intermináveis
Becos sujos, minha mente em alucinações inimagináveis
Da escuridão uma voz rouca se fez ouvir
“Giordano, porque estás tão tarde a vir?”
Era um velho mendigo, todo sujo ao relento
Ao ver-me levantou-se querendo atento
“Procurei-te por horas, meu caro amigo
Sentei-me aqui a esperar falar contigo
O mendigo, já não o era, mas galante
Com roupas bem feitas e um falar interessante
Andamos por ruas, para mim tão estranhas
Que nada reconhecia, nem as margens vizinhas
O homem cortês guiava-me lento
Perguntava d’minha vida, se passava tormento
Se era feliz, se acaso tinha um’amada
E o que pensava dos bailes, das festas, do nada
“Giordano sou, tu sabes bem,
Tinha uma bela esposa que a Morte hoje tem
Desde lá não vivo senão a sofrer, meu caro
E ir à bailes e festas é meu ato mais raro
A caminhada parecia não terminar
Meus ossos doíam pelo frio e pelo andar
Até pararmos defronte dum lugar funesto
Onde querendo ir eu à casa, não fazia um gesto
E foi lá, sim, quando a Lua brilhou mais
E seu brilho fez surgir um temor e terror fatais
O tal homem, com sombra aluada a mim chegava
Com um breve e horrendo riso a mim desprezava
E aquela sombra em mim tocou, temi
Dela não pude livrar-me, moribundo caí
Meu corpo jamais dali se levantou, não mais
E o silêncio na viela, decretou a paz
Ao lembrar o antigo verso: Nunca mais.
L. A. Freire

Meu sonho bom

Meu bem querer

Ainda lembro do primeiro abraço

Do sorriso travesso que você me dava

Daquele olhar penetrante

Você me envolvia de um jeito

Ah, é impossível não lembrar

Do seu cheiro

Do seu beijo

DO tempo que se passou

Foi cada um para um lado

Você está ai feliz

E acredite eu fico feliz por isso

Mas sinto sua falta

Falta do seu toque

Falta dos nossos momentos

Ainda guardo cada lembrança na mente

Sim, vou deixar elas aqui comigo

Nem que para sempre continue sendo apenas

A continuação de um sonho bom.

 

Autora: Lany