Vegetal

Eu descobri que força, é vontade
Agora quero ser feliz
Mesmo que o desgosto suba cada vez mais
Como xilema na planta que me tornei
Sou a prévia de tudo que vai acontecer
Com forma sólida quis te possuir
E já estou pronta
Você sorri e eu choro
Não ia aguentar ver de forma clara
Tratei de imediatamente desenhar situações
Para não cometer crimes
Do sentimento que me tira a razão
Chuto todos os potes de ouro
Bato palmas pra delicadeza
Volto pra casa
Choro sorrindo no ombro amigo
Tremula, sem saber o que sentir
Cavo um buraco na terra molhada do jardim
Ponho as mãos e os pés
Caio num sono agitado de lembranças
Desejos realizados de forma contorcida
Ficando dependente da caridade rara de alguém
Que fique contente em me ver corada e viva

 

Ana Karolina de Melo Paiva em 20/06/2010

2 thoughts on “Vegetal

  1. Talvez seja atrevimento de minha parte… Mas tu parou de escrever poemas? Só posta material antigo, de um bocado de anos atrás…
    **
    Acho que podia ser melhor, “xilema” ficou feio e um tanto quanto forçado, “…sentimento que me tira a razão” é um puto de um lugar-comum sem graça.
    Particularmente gostei deste verso aqui: “Cavo um buraco na terra molhada do jardim” — nada mais escroto do que cavucar terra úmida, taí uma bela montagem que contrasta perfeitamente com a imagem agridoce do “jardim”. Te aconselho a contrabalançar teus poemas, faça dieta das frases feitas, use mais trocadilhos (mas sem abusar) e dê mais valor aos detalhes tangíveis e minúsculos do que aos expansivos e vagos “Sentimentos”.
    *a cadela está marcando território*

    1. De fato eu parei, acho que perdi o talento ou o transe das descobertas adolescentes que tinha na época. Eu estou postando todos eles aqui pois se mais de uma ou duas pessoas chegaram a ler esses poemas na época eu ficaria surpresa.
      ..
      Muito obrigada pelas suas dicas, me deixa contente que tenha demonstrado interesse pelo meu texto. Caso eu tente escrever algo atualmente me vai ser de grande valor, mas acho difícil isso acontecer, tendo em vista que meu eu de agora inveja muito a capacidade do meu eu de antes, mas não deseja mais estar no ar daquelas situações. Kkkkk

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