O RETRATO DE DORIAN GRAY: Oscar Wilde

O último final de semana foi para a leitura de “O Retrato de Dorian Gray”. Tinha assistido recentemente ao filme “Wilde – O Primeiro Homem Moderno”, uma produção de 1997, e tido contato com uma faceta da biografia desse brilhante autor britânico que lutou por seu direito de amar em um tempo e sociedade para a qual essa ousadia era crime passível de pena de prisão e trabalhos forçados.

Wilde enfrentou os tribunais em decorrência de seu envolvimento com um jovem nobre inglês, perdeu sua batalha judicial e cumpriu pena. Ler o retrato de Dorian Gray e saber que esse livro foi um dos elementos apresentados perante o tribunal para justificar a condenação do escritor por sodomia (conduta homossexual), traz um peso extra na experiência desse importante clássico da literatura gótica que fala muito dos sentimentos do autor e da sua visão da sociedade vitoriana, sendo uma verdadeira crítica ao moralismo que condenou Oscar Wilde a uma morte miserável.

A TRAMA DO LIVRO:

Bem, vamos ao enredo. Dorian era um moço muito bonito, mas ainda muito imaturo e inocente quanto à sua grande beleza. O rapaz torna-se amigo de um pintor famoso e talentoso, Basil Hallward, que passa a nutrir uma devoção amorosa pelo rapaz, cultivando por ele um verdadeiro amor platônico, passando a pintar o rosto do rapaz de forma quase obsessiva, atribuindo a cada versão do seu rosto uma personalidade distinta, sem, contudo reproduzir o rapaz como ele verdadeiramente era.

Na manhã em que o pintor resolve pintar Dorian como ele realmente era, duas coisas acontecem: o moço conhece o depravado e cínico  Lorde Henry Wotton, amigo do pintor Basil. Lorde Henry será o responsável por corromper a alma do jovem Dorian. E nesse mesmo dia, o moço encanta-se por sua própria imagem, nos conduzindo à essência do mito de Narciso.

Diante da linda pintura de seu rosto, o rapaz lamenta a compreensão de que o tempo varrerá sua beleza e todas as vantagens agregadas a ela, e exclama que daria qualquer coisa para tornar possível o quadro envelhecer em seu lugar. Quem leu Fausto percebe a influência daquela trama nesta cena. Naquele momento, sem notar, o rapaz firma um pacto com o sobrenatural maligno.

O retrato efetivamente passa a envelhecer em seu lugar, carregando todas as marcas da corrupção da alma de Dorian que vai se degradando ao longo da história. Bem vou evitar dar spoiler do resto da trama, só posso dizer que muita coisa interessante ocorre e vale cada página, principalmente se você ler tendo em mente o contexto social e a biografia do autor. Recomendo a leitura e para quem ficou curioso quanto ao filme, pode encontrá-lo disponível no youtube ;-).

Espalhe isto!

88 thoughts on “O RETRATO DE DORIAN GRAY: Oscar Wilde

Deixe uma resposta

Clube do Gueto