Crônicas?

Serviu-se de uma boa taça de vinho tinto, deliciando-se com o sabor amadeirado. Sentou em frente a janela molhada com a chuva outonal, enquanto as ruas eram iluminadas por luzes e faróis, sentindo o peito inflar de felicidade com a sua solidão. Calçou as meias cinzentas, o moletom surrado e amarrou o cabelo, para preparar a lasanha de sexta feira, como se não tivesse acabado de sair de um banho quente, sentiu o calor do forno se jogar contra seu rosto, calor com cheiro de carne ao molho branco e massa cozinhando. Mas como já era esperado, a campainha encheu seus ouvidos, para um final de sexta, até que havia demorado demais…

 

Continua…?

Resenha “Depois daquela viagem”

Valéria Piassa Polizzi é a autora e também personagem dessa fascinante história.

É uma autobiografia (melhor chamado de diário de bordo), que conta a história de uma adolescente que contraiu HIV na sua primeira relação sexual e teve que aprender a conviver com o vírus.

A princípio ela esconde essa realidade dos seus amigos e recusa o tratamento, mas, aos poucos, com a idade que vai adquirindo – vejam bem, ela é uma adolescente, estava com os hormônios a flor da pele e recebe o diagnóstico na década de 80, o que, se hoje já é difícil, mesmo com todos os tratamentos, naquela época era ainda mais mal visto pela sociedade e amedrontador para o paciente – acaba conhecendo a vontade de viver.

A história é encantadora, conta com aspectos que quase todos gostariam de fazer como, viajar e estudar nos EUA, conhecer pessoas de diversos países, nunca esquecer os velhos amigos de escola que, quando descobrem sobre a doença, permanecem sempre ao lado dela… Vale ressaltar ainda que o livro faz um acompanhamento dela e dos amigos e podemos ver a maturação ao passar dos anos.

ALERTA DE SPOILER: Os amigos só descobrem sobre o HIV durante uma crise de pneumonia (ou tuberculose, desculpem, li o livro aos 11 anos, mas ele não saiu da minha estante) que é agravada pela doença e somado a vários outros fatores, quando ela está de volta ao Brasil e são estes amigos que dão força pra que ela escreva o livro. (#Por mais amigos assim <3)

Valéria hoje tem cerca de 48 anos e está pleníssima dando palestras e escrevendo diversos outros livros… O livro é de 1997, mas tem dilemas mais que atuais.

Recomendo!!

Bjinhos, Ana :-*

Resenha “O inferno de Gabriel”

O livro “O inferno de Gabriel“, na verdade é uma trilogia (O julgamento de Gabriel e A redenção de Gabriel) que se passa nos EUA e Canadá. Gabriel Emerson é um professor universitário cruel (assim como vários aqui do Brasil, né? rsrs brincadeira), porém, o professor formado em Dante conhece uma aluna angelical, na qual, ainda que não se lembre, ele elegeu ser sua Beatriz anos antes, enquanto ele seria o próprio Dante Alighieri. A aluna é Júlia, que esperou por Gabriel por longos 10 anos, para se entregar de verdade a um homem. Enquanto ela se mantém virgem, porém, ele é o maior “pegador”, mas sempre respeitando seu ambiente de trabalho. E eles se vêem sem saída quando resolvem viver o amor: Namorar uma aluna ou dispensar a única mulher que o fez sentir vivo?

 

De início achei que o livro seria bem clichê, mas na verdade é diferente e moderno. A melhor parte é que, apesar de ser três livros, a história desenrola bem no primeiro. Sem contar que há uma história dentro da outra, já que ambos são e vão se formar em Dante (Divina comédia). Alerta de mini spoiler: Ambos tem traumas terríveis no passado, e ele não se lembra de já conhecer ela quando se encontram na universidade de Toronto. Mas ela lembra dele, tanto que “o procurou até no inferno”, como prometeu uma vez para o próprio Gabriel. 

É maravilhoso, ele é mais velho que ela (BEM MAIS) e isso faz toda uma bagunça nas inseguranças dele e dela. Não é erótico, pois não descreve o ato, mas você consegue visualizar perfeitamente as cenas, pois a autora (Sylvain Reynard) fez questão de descrever todos os sentimentos das personagens.

 

Espero que gostem da indicação… Bjinhos!

Inspiração perdida

Ando sem inspiração

Talvez eu a tenha deixado

Nas pontas dos seus dedos

Quando eles me tocaram 

Ou na carne dos seus lábios

Quando estes queimaram os meus 

Quiçá eu tenha deixado

Na superfície da sua pele

Quando você escorregou pela minha

Talvez eu tenha deixado

No gosto da sua língua, na sua voz abafada, nas tuas curvas marcadas… 

Talvez eu a tenha perdido 

E preciso urgentemente procura-la